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sábado, 7 de maio de 2011

Fabricio Carpinejar


A mulher perdigueira
A mulher perdigueira sofre um terrível preconceito no amor.
Como se fosse um crime desejar alguém com toda intensidade. 
Ela não deveria confessar o que pensa ou exigir mais romance. 
Tem que se controlar, fingir que não está incomodada, 
mentir que não ficou machucada por alguma grosseria, 
omitir que não viu a cantada do seu parceiro para outra. 
Ela é vista como uma figura perigosa. 
Não pode criar saudade das banalidades, extrapolar a cota de 
telefonemas e perguntas. É condenada a se desculpar pelo excesso de cuidado. 
Pedir perdão pelo ciúme, pelo descontrole, pela insistência de sua boca.
Exige-se que seja educada. Ora, só o morto é educado. 
O homem inventou de discriminá-la. Em nome do futebol. 
Para honrar a saída com os amigos. Para proteger suas manias. 
Diz que não quer uma mulher o perseguindo. Que procura uma figura submissa 
e controlada que não pegue no seu pé. 
Eu quero. Quero uma mulher segurando meus dois pés. 
Segurar os dois pés é carregar no colo. 
Porque amar não é um vexame.
Escândalo mesmo é a indiferença.

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